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quinta-feira, fevereiro 23, 2017




REGULAMENTO 1º CONCURSO LEC LITERATURA.
• REGULAMENTO
1º Concurso LEC de Literatura Prêmio Milton Dias de Crônica e Poesia 2017 é promovido pela LEC – Livraria Escritores do Ceará – e chancelado pela ACE – Associação Cearense de Escritores – e foi instituído para incentivar a criação literária nos gêneros crônica e poesia, e será regido pelas cláusulas e condições aqui discriminadas.
• DAS INSCRIÇÕES
A) Poderão inscrever-se candidatos CEARENSES maiores de 18 anos residentes no Estado do Ceará.
B) Os textos deverão ser inéditos e em Língua Portuguesa, pois, já publicados o todo ou uma parte, determinará a eliminação dos participantes a qualquer tempo do concurso.
C) Os trabalhos, obrigatoriamente em 03 (três vias) impressas no papel A4, espaço 02 (dois) digitados somente numa face do papel, sem rasuras ou emendas manuais, na fonte Times New Roman, tamanho 12, tendo as páginas numeradas até 04 (quatro) para poesia e crônica, deverão ser entregues num envelope com o nome do concurso e do candidato (a).
D) Outro envelope, com o nome do concurso e do candidato (a), deve conter os trabalhos e o currículo em CD-R, no programa WORD. Uma folha A4 com o nome completo do autor, endereço, bairro, cidade, CEP, Estado, tele- fone para contato e, separadamente, o curriculum com até 06 linhas. Cópia da identidade. No CD haverá uma etiqueta com o título do Concurso e o pseudônimo.
E) Cada participante poderá inscrever até dois 02 (dois) poemas e 02 (duas) crônicas com o máximo de 04 (quatro) laudas cada um.
Prêmio Milton Dias Crônica e Poesia
F) As inscrições estarão abertas de 20 de fevereiro a 26 de abril de 2017, na LEC, Rua Nunes Valente, 3291, próximo a Embratel, Av. Pontes Vieira com Tibúrcio Cavalcante, Bairro Dionísio Torres, no horário comercial. Fones (085) 32571417/987088952. O candidato pode solicitar o regulamento, o modelo do curriculum que serão enviados por e-mail. Ao ser atendida a pessoa solicita a transferência da ligação para a Livraria Escritores do Ceará.
G) Não serão permitidas inscrições por e-mail ou por qualquer outro endereço eletrônico.
H) O resultado será anunciado dia 27 de maio de 2017, às 16h30m, na Casa de Juvenal Galeno, Rua General Sampaio 1128, próximo ao Teatro José de Alencar.
I) Os trabalhos inscritos nesse concurso não serão de- volvidos.
DA COMISSÃO JULGADORA
M) A Comissão Julgadora será composta de três intelectuais cearenses nomeados pela LEC e ACE, sendo os seus nomes mantidos em sigilo até a data da proclamação dos vencedores, dia 27 de maio.
N) As decisões da Comissão Julgadora são irrevogáveis.
O) A Comissão Julgadora receberá todos os trabalhos inscritos no dia 01 de maio de 2017 e entregará os resulta- dos a LEC dia 24 de maio de 2017.
P) As decisões da Comissão Julgadora serão irrevogáveis.
• DA PREMIAÇÃO DOS VENCEDORES NAS CATEGORIAS CRÔNICA E POESIA
1º lugar: 300,00 (Trezentos reais) e o certificado
2º lugar: 150,00 (Cento e Cinquenta) e o certificado
3º lugar: 100,00 (cem reais) e o certificado
Q) Os classificados em 1º lugar terão seus textos publicados na 3ª Coletânea da ACE, que será lançada dia 30 de setembro de 2017, às 16h, na Casa de Juvenal Galeno.
R) Os prêmios, sob nenhuma hipótese, serão divididos, devendo a Comissão Julgadora, por unanimidade ou maioria simples, definir-se pelos vencedores.
S) A inscrição do candidato e a entrega dos textos sub- tendem o conhecimento e a aceitação deste regulamento, bem como a autorização para a publicação dos mesmos na 3ª Coletânea da ACE, conforme anunciado no item Q DA PREMIAÇÃO.
T) Será mantida a classificação definida pela Comissão Julgadora, mesmo com a ausência dos classificados em 1º, 2º 3º lugares em cada categoria. A premiação será entregue aos classificados ou a alguém por ele indicado através de procuração com firma reconhecida.
R) Os requisitos acima deverão sem cumpridos rigorosamente no ato da inscrição, sem o que os trabalhos não serão aceitos pela LEC – Livraria Escritores Cearenses.
Fortaleza, 14 de fevereiro de 2017.
Gonzaga Mota/ Silas Falcão
Dir. Pres. da LEC Pres. da ACE

sábado, outubro 29, 2016

Resenha do livro: Brasiliana A menina em Riace – Nanda Gois



              O romance Brasiliana: a menina em Riace da autora Nanda Gois inicia com um prólogo onde conhecemos a história de uma jovem brasileira-Gabriely- levada por sua mãe ainda menina para a Itália e lá criada como se italiana fosse,de fato. Por ser ainda pequena, Gabriely desconhece esse passado no Brasil, e vive tranquila ao lado da mãe Eva, do pai Victório e de seu irmão Benetto. Por causa das maledicências dos vizinhos, eles se mudam para Riace, na Itália, ao sul da Calábria, e recomeçam a vida. O pai Victório inicia uma serraria e nela trabalha com seu filho mais velho, Benetto, irmão de Gabriely. A rotina era trabalhar o dia inteiro na serralheria, e de tarde, ir se encontrar com amigos e tomar vinho. Embora tivesse consciência de que fora um erro, encontrar sua princesinha correndo, o fazia ver, que afinal, o erro era sim, um acerto. Não tinham muito, viviam com pouco, mas a vida era tranquila. O pai, devoto de são Nicolas, recorria a Nossa senhora dos Majores, sempre que necessário. A mãe amava muito a menina e a tratava com muito carinho. Essa era vida de Gabriely. Ao final desse prólogo,ao contrário de outros livros neste gênero,descobrimos que aqui, o que importa não é conhecer a verdade e sim, como os personagens descobrirão, de fato, aquilo que o narrador esconde deles. Desde o principio o leitor não tem dúvidas: Gabriely não é filha de Victório, muito menos é italiana, e sua mãe a leva ainda pequena para a Itália. A pergunta certa que o leitor deve fazer é: Por quê? A narradora/autora brinca com a imaginação do leitor, revelando e suprimindo informações e conduzindo a histórias como se fossem as ruas estreitas de Riace, por onde Gabriely brinca e é feliz. Então, a primeira eucaristia da menina, seu pai, muito devoto, leva a menina toda vestida de noivinha para a primeira comunhão. A menina ia receber a eucaristia e abaixa-se para receber, como as outras crianças antes dela, a benção do padre,quando então ele,num atitude inusitada,retira a menina da fila e começa esbravejar que aquela menina não pode receber comunhão por ser a filha do pecado. Por conta disso ela e a família não mais poderia ir à igreja, por conta do pecado dos pais, e a maledicência voltou a cobrar seu preço: logo eles estavam isolados, os fregueses começaram a rarear, a mãe, Eva, não tinha mais com quem conversar quando ia buscar água na fonte ou mesmo lavar roupas… E a vida começou a mudar… E a mudar para pior. A única pessoa que não os abandonou foi Maria, que se revelou uma amiga fiel. O tempo passa e, apesar das dificuldades, Gabriely cresce e faz uma amiga na escola, Latifah-uma menina Nigéria com 14 anos. A menina e a familia receberam muito apoio com a dificuldade de compreensão da língua italiana e principalmente Gabriely aproximou-se muito da familia, através da amizade das duas agora pré-adolescentes. Mas a escola fundamental estava acabando e a professora disse orgulhosa, que Gabriele era sua melhor aluna e que seu pai deveria matriculá-la na escola na cidade, porque ali, naquele vilarejo, já não teria escola para Gabriely. A menina, muito feliz, vai contar ao pai o que a professora disse. Mas, a reação do velho Victório surpreende a menina. Ele não só não fica alegre com a notícia como revela que agora a menina vai passar a fazer os serviços domésticos, porque a mãe está sempre fora, só retornando durante os finais de semana, e muitas vezes, nem isso. Com a diminuição da clientela na serralheria, a alternativa foi Eva passar a trabalhar em casas de familia. Com o tempo, as discussões entre o casal tornaram-se mais frequentes. O primeiro dia de aula chega e Gabriely vai escondida até a cidade atrás de Latifah, mas acaba desistindo e volta para casa, sem nem mesmo assistir a aula. Em principio ele, furioso, aos poucos se acalma. A raiva se abranda no coração do velho Victório que, apesar de dizer que possui os motivos dele para não querer que a filha estude na cidade, faz um acordo com a amiga da menina, e na volta da casa, a menina e almoçaria lá e depois disso Latifah ensinaria à Gabriele a ler. Além disso, poderia levar uma cabra para dar leite para os irmãos menores e ainda iria oferecer um emprego ao irmão mais velho de Latifah, que prontamente aceitou o acordo… E assim foi,por algum tempo. Gabriely cresceu e no outro verão, já não queria mais estudar. Estava com muitas saudades da mãe, que já não voltava para casa. Um dia, a mãe retorna e aos gritos com o marido, o chama de carcamano e diz que levará os filhos com ela… Mas acaba indo embora de vez, não sem antes entregar para a filha uma boneca de pano vestida com as cores da Itália, que a menina achou de Carmela. Agora, eles estão sozinhos, Gabriely já uma adolescente, começa a desobedecer as ordens paternas e a vida entre eles já não é mais feliz. Subitamente, o velho morre, e eles são visitados por pessoas más ainda durante o velório do velho, que insinua que ele tinha relação com a máfia. O livro Brasiliana: A menina em Riace é um romance dramático ,cujas cenas são apresentadas com uma breve descrição após o titulo,servindo explicação daquilo que o leitor terá em cada cena (capítulo). Além disso, existe uma imagem da menina Gabriely em estilo Litografia acentuando a cor verde da imagem, característica da bandeira italiana. Muito interessante, além de ajudar na imersão do leitor no cenário da história. Em determinados trechos, a autora deixa claro sua veia poética ao transformar descrições simples dos personagens em prosa poética:

                                                                                   ****
              “Apenas um fio de esperança… Mas a vida já se mostra impiedosa, severa e cruel para os que, desprovidos de bonança, amarguem as duras penas impostas pelo frio que castiga sem piedade a região da Calábria. De longe tudo seco por sobre os morros, os carneiros montanheses se agrupavam de tal forma a deixar a paisagem assim. Numa pequena calosidade no calcanhar da Itália, deitada nos braços de Morfeu, coberta por seu manto fino da mais pura névoa vinda do mar, abafado pelo surdo canto das ondas, que deitam seus olhos aos faróis longínquos que são os braços de Tritão, ao cair o sono sobre o sol, antes vibrante do Mediterrâneo, tudo parece agora muito distante. A brisa gelada que desce sobre a cidade, nada mais é do que o sopro da morte, que adormece, diante da solidão, que ainda queima e aquece os guerreiros de bronze fincados por sobre a rude testa dos montes guardiões da aurora escondida. No limiar da loucura que se anuncia, nem Marte e nem Vênus, largadas em meio ao turbilhão da noite que se anuncia, tiradas das luzes do astro-rei é jogada nas sombras de Plutão, da mão pesada de Netuno, que atirada ao mar, debruça sem dó, morta nos braços de Poseidon. Assim é Riace quando começa a anoitecer. Na escuridão de uma noite fria na colina descampada, onde o céu parecia beijar a terra e cobri-la com o sopro frio da morte inevitável de um soldado que da guerra saiu herói, mas da desgraça se fez derrotado… No seu último momento de lucidez pode ter como consolo as lágrimas de dois jovens filhos… Estendido por sobre um colchão quase na lona onde as palhas lhe servem de conforto para o corpo ossudo e já quase rígido. Aquele pobre homem ali deitado espera agora a hora de sua partida, já não há mais esperança para ele, porém o seu coração dói por deixar tão jovens os dois únicos filhos que a vida lhe deu… Infelizmente não gerados das suas entranhas, mas lhe chegaram ao coração e tudo por eles tentou fazer, mas os infortúnios da vida não lhe permitiu mais do que desgraças e fome. Os dois filhos ainda eram crianças para terem de enfrentar tamanha dor. O velho Victorio, com suas poucas forças, olhava com lágrimas nos olhos para aquelas duas tristes figuras a seu lado, primeiro virou a cabeça para onde estava o seu filho Giuseppe Benedetto, chamado por ele simplesmente de Benetto, menino de 15 anos, magro, rosto fino, cabelos encaracolados, olhos pequenos e puxados, sobrancelhas grossas, nariz grande, boca pequena. “(Página 63 in Brasiliana: A menina em Riace).
                                                                                                        ****
                Porque Gabriele foi para Itália? A mãe era realmente sua mãe ou ela era uma sequestradora de crianças? E como ela se envolveu com aquele velho?Seria Benetto seu irmão? Algumas perguntas já são respondidas neste primeiro livro da série Brasiliana, outras não. Entretanto, os assuntos complexos deste livro que se escondem embaixo da suavidade poética da autora, são muito bem abordados e merecem uma reflexão social profunda. A maledicência do povo e sua postura tão devota quanto desprovida de solidariedade não só precipitou quanto fomentou as desventuras daquela menina e sua familia. A situação complexa dos imigrantes ilegais e mesmo legais, que chegam em terras estranhas e precisam aprender a língua e a conviver rapidamente,muitas vezes sem auxilio do país de destino ou de origem. A terrível existência do tráfico de crianças e a falta de discussão clara sobre essa violência social. O trabalho infantil ainda presente em muitas regiões do mundo, muitas vezes com a conivência da própria família, especialmente as famílias de meninas,que por serem obrigadas a fazerem serviços domésticos, a sociedade ainda machista interpreta isso como uma forma normal da criança aprender as funções femininas-leia-se serviços domésticos- reservando às mulheres a única responsabilidade pelos cuidados da casa. Esses são alguns dos muitos assuntos abordados através das desventuras dessa jovem Gabriely. Um livro para ser lido e refletido em conversas sobre os temas apresentados. Sugiro que conheçam mais sobre Riace, na Itália, através da página da autora, na rede social Facebook, dedicada ao livro. É uma aula de história e geografia. Enfim, Brasiliana: a menina em Riace é um livro tocante. É muito bom ler uma obra com uma mensagem profunda sobre a realidade filosófica e social das minorias, das inúmeras “gabrielys”, sem vez e sem voz, perdida e entregue à própria sorte, sozinhas no mundo.

Recomendo.

Resenha de Michelle Louise Paranhos, resenhista do Arca Literária

http://www.arcaliteraria.com.br/

domingo, outubro 23, 2016

BRASILIANA A MENINA EM RIACE







PRÓLOGO


    "Do dia que nascemos e vivemos para o mundo nos falta uma costela que encontramos num segundo...""...e lá muito distante, despontar o amor sentiu..." Vicente Celestino.

   
                 Tirando por máxima as palavras do poeta, como posso esconder da sociedade a história de uma jovem brasileira levada para a Itália por sua mãe ainda muito pequena, e criada como uma verdadeira italianinha? De tão italiana a menina não se lembrava de sua origem latina, assim ela cresceu longe de tudo e todos. A família fazia questão de isolá-la das outras pessoas da cidade. Seu mundo era a sua família, os únicos modelos de mulher que ela tinha eram a mãe e as vizinhas, meia dúzia de velhas senhoras viúvas, desprovidas de qualquer vaidade; as vizinhas às vezes se assustavam quando a mãe lhe falava alguma coisa em português, a língua lhe parecia estranha e quase incompreensiva... Nunca ninguém imaginaria que aquela mulher tão italiana, no seu modo de agir com o marido, na verdade era brasileira, muitas vezes discriminada pelas más línguas da vizinhança, que falavam por trás: "Como pode o velho Victorio ir para o Brasil e voltar com uma mulher que mais parece sua neta e duas crianças de colo e ainda diz que os piccolos são seus filhos". Isso sempre deixava o velho muito zangado, por esse motivo deixou de ir à cidade para jogar com os amigos e tomar vinho no ritrovo. Essas coisas ofendiam o velho, que guardava um segredo sobre seu passado que jamais poderia falar. Por isso o velho saiu da cidade com sua família e foi morar em um pobre povoado, bem distante, onde ninguém o conhecia e nem se importava com a sua vida. Tudo que possuía o velho.    A menina crescia feliz ao lado da família. Era a garotinha do pai e sua mãe a tratava como uma princesa; o único irmão homem lhe dava todo o carinho e tinha tudo que queria, a mãe era dedicada e muito amiga, eram tão ligadas que ela não dormia sem o aconchego da mãe no primeiro sono, depois o pai a levava para a sua cama. Ele, um próspero serralheiro na pequena cidade de Riace, no sul da Itália na região da Calábria. A cidade, simples como todas as outras, tinha ruas estreitas, um portal, uma praça e três igrejas. Herdara do pai a devoção por São Nicolas, mas na verdade quando dos seus muitos apertos corria pra Nossa Senhora das Majores. Mesmo morando numa pobre comunidade rural, tem tudo do que precisa para ser feliz; da janela de sua casa de pedras pode ver os carneiros pastando nas colinas ao redor e avistar ao longe os inúmeros pomares das frondosas árvores de tangerina que apontam para o céu.
OBS:      Caros leitores o livro Brasiliana a menina em Riace já se encontra impresso e a venda. Por isso é que tenho colocado apenas o resumo dos capítulos.  Em breve colocarei o resumo do primeiro e do segundo capítulo. Espero que vocês se encantem pela história da pequena Gabriely.

A 1ª Eucaristia

                        
       Gabriely aos 11 anos se prepara durante meses para sua primeira comunhão. Muito católica a menina vai ao curso na igreja todos os domingos e fica ansiosa para receber a sua primeira eucaristia. Passa os dias sonhando e ensaiando em frente ao pequeno espelho. Sua mãe fez com as próprias mãos um lindo vestido de noiva. Comprou uma vela linda e decorou com flores do campo. No dia a mãe junto com as vizinhas fizeram um banquete e um bolo todo branquinho para a grande festa. O pai e o irmão estavam vestidos com seus ternos de domingo. O carro velho saiu do vilarejo explodindo e soltando fumaça. Engasgava mais que um bêbado comendo farofa. Chegaram na igreja e a garoa fina lavava a rua. As crianças já estavam na fila para entrarem na igreja e beijarem a mão do padre. Tudo pronto para a festa, mas o padre não aceitou que a menina entrasse na igreja... O pai brigou com o padre e a menina caiu no chão sujo de lama... A mãe chorava e o pai esbravejava e o padre os excomungava... Saiba por que lendo o livro Brasiliana a menina em Riace. Votam pra casa decepcionados e a menina triste, sem festa e sem saber por que tudo aquilo tinha acontecido. A mãe e o pai escondiam um grande segredo que os impedia de reagir a toda aquela injuria do padre e os moradores da cidade ficaram divididos entre o amigo bom e companheiro e as acusações do padre. Muitos viraram as costas para a família. Só uma única senhora resolveu ficar do lado deles e ela os acolhia e recebia em troca alimentos e companheiros na luta. O acontecimento dos últimos dias fez com que a família entrasse em um declínio e o infortúnio bateu a porta de leve. Logo colocarei o resumo do segundo capitulo aguardem. Deixe a sua opinião e comentário .

A ALEGRIA PASSAGEIRA


                  Aos onze anos a menina já trazia em sua inocência a pureza do mar que de longe sentia o cheiro   


      Aos onze anos a menina já trazia em sua inocência a pureza do mar que de longe sentia o cheiro. Quando seu pai a proíbe de continuar os estudos na cidade ela se ver obrigada a crescer para ajudar em casa. O seu pai se tornou um homem bruto e sempre preocupado. A mãe foi trabalhar na cidade como domestica. O irmão agora trabalha duro para ajudar em casa. As dificuldades só se acumulam. O velho cada vez mais luta pra esconder a menina de todos. Teme pelo dia que o seu grande segredo venha a tona. A Gabriely, sofre por ver seu sonho de estudar ir pelo ralo. Se tornou uma criança revoltada e atrevida. Sendo a cada dia mais obrigada a assumir a casa como dona. A mãe já quase não aparece e muitas vezes só manda o dinheiro para ajudar nas despesas e parece ter esquecido da filha.
Com a ajuda das vizinhas velhas que a tarde ficavam as portas conversando e ensinando a menina os afazeres de uma boa moça casadora. Esta crescendo e aprendendo a ser uma mocinha aplicada. Já sabe costurar, bordar e cozinha e aprende sozinha por ser muito curiosa. O pai a explora fazendo-a carregar água da fonte e pegar lenha para o forno da ferraria.

 O PRIMEIRO DIA DE AULA NA      CIDADE

         A tristeza nos olhos da menina era grande, não reclamava da decisão do pai, mas no fundo ela esperava que ele mudasse de ideia e que lhe fizesse uma surpresa chegando com a sua matrícula feita. Esperou todos os dias até começarem as aulas, ainda tinha esperança, na manhã do dia 1º de setembro, o inverno também estava começando. Acordou cedo como de costume, fez tudo muito rápido, vestiu o seu único vestido de flanela azul-marinho, já estava muito velho e um pouco curto, amarrou um lenço branco na cabeça, colocou o xale, que tinha ganho de sua antiga professora, calçou uma velha botina e uma meia de lã com um buraco em cada dedão e ficou ali na janela esperando a Latifah chegar, não tinha dito à amiga que seu pai não queria que ela continuasse a estudar. Quando de longe avistou a moça, chegando com o irmão para buscá-la, correu, pegou o seu livrinho de reza da primeira comunhão e o terço, colocou tudo dentro de uma bolsa surrada que ela usava para colocar o caderno, e acompanhou a amiga, não podia deixá-la chegar em sua casa para seu pai não perceber, queria sentir o gosto de ir à escola grande, queria ver as moças e rapazes entrarem na escola. Sabia que não ia poder entrar, mas iria à igreja, no caminho contaria tudo a Latifah, talvez conseguisse falar sem chorar...

A ISSO NÃO CHAMO INFÂNCIA


   

                   Na mata cheia de galhos secos e espinhos, a menina pisava descalça num tapete de folhas secas, que não machucavam os pés já calejados com aquelas tarefas duras do dia a dia.
Juntava varas secas, algumas quebrava com as mãos e o joelho, ia juntando num canto uma em cima da outra, no final pegou um cipó e amarrou em um feixe toda a lenha que tinha juntado. Depois saiu catando mais gravetos pequenos, procurava uns que tivessem alguma forma, de bicho ou que se parecessem com gente. Era assim que ela brincava, pegava pequenos gravetos que às vezes tinham forma de um boneco, com cabeça, tronco e braços, levava pra casa e nas horas vagas quando não tinha nada pra fazer, pegava uns pedacinhos de tecidos rasgados de alguma roupa velha do pai ou do irmão e fazia roupinhas, colocava lenço na cabeça das bonecas e assim por pouco tempo era uma menina como outra qualquer, com os mesmos sonhos e os desejos de um dia ter uma boneca de verdade. Sentada em uma pedra grande, brincava despreocupada, ouvia o canto dos poucos pássaros que resistiam aos dias indecisos do inverno. A tarde estava passando rápido, o vento frio vindo das colinas começava a soprar manso sem muita pretensão, o tempo começou a esmaecer e a brisa do mar com aquele cheiro de água salgada, lhe chegava as narinas, Gabriely havia saído de casa desprovida de qualquer agasalho, apenas um vestido de algodão velho e um avental surrado, sem sapatos... Sentiu o sopro gelado da brisa do mar lhe fazer cócegas nos braços, ela se arrepiou toda e passou as mãos nos braços, esfregando-os para se esquentar. Olhou o tempo fechando a cara por trás das montanhas. Levantou rápido, pegou os gravetos, colocou no bolso do avental os seus projetos de brinquedo, respirou fundo, pegou o lenço que trazia na cabeça e dobrou várias vezes fazendo uma almo-fadinha, jogou por sobre os ombros e pôs pesadamente o feixe por cima desse mesmo ombro, era muito pesado,machucava, mas ela já estava acostumada, não reclamava, pois sabia que se não fosse ela, quem faria o serviço? Seu irmão passava o dia todo trabalhando nas carvoarias, isso sim era serviço duro para um garoto de 13 anos, que passava o dia carregando toras de madeiras e enchendo os sacos de carvões recém-saídos do fogo; o irmão sempre chegava à noite todo sujo de fuligem e todo preto tingido pelo carvão, seu rosto era uma mistura de vermelho queimado do fogo e preto de tirna. Ela também tinha como obrigação levar o almoço para o irmão na carvoaria, às vezes subia as grandes montanhas fumegantes onde ficava toda aquela lenha enterrada e era queimada, deixando nuvens escuras e um cheiro sufocante de fumaça no ar...     
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quarta-feira, outubro 15, 2014

LANÇAMENTO DO LIVRO HORAS NOTURNAS

AS AUTORAS: 
ANA CRISTINA SOUTO,
CLEODY VIRGINIA,
CRIS MENESES E
NANDA GOIS
CONVIDAM TODOS SEGUIDORES DESTE BLOG
PARA O LANÇAMENTO DE MAIS UM LIVRO DE POESIA.

quinta-feira, março 07, 2013

SOU NORDESTINA



Sou nordestina,
Desde  de muito menina,
Corro pelos vales,
Pego touro e me embrenho
Na pura caatinga.
Sou Cearense,
Como Iracema já me banhei
De Pacoti ao Banabuiú.
Por isso não pense
Que quero aqui fazer
Da minha face
Mote para dizer
Que sou filha de Maracanaú,
Sou nascida,
Sou criada às vezes
Até mal criada.
Conheço do horto
Até o Jaçanaú.
Sou filha da terra seca,
Já ferrei gado no mato,
Por isso é que declaro
Sou filha dessa terra
Aqui codificado.
Já partir em busca
De canto em outros cantos,
Já tomei outros rumos,
Mas quem enterra o umbigo
Na porta da vacaria,
Pode até conhecer
Outra moradia.
Mas não deixa de beber,
Dessa água que se queixa
Da sede romper.
Lhe digo seu doutor,
E não lhe peço favor,
Quem tudo isso fez,
Não perde o rumo outra vez.
Escrita em: 06/02/2012

VERDADE



Oh! Verdade,
Triste verdade
Que me perdoe,
Não posso nisso
Por a culpa na
Minha pouca idade.
Fiz e se fiz ,
Não posso dizer
Que foi sem querer,
Na indolência da solidão,
Não notei, que a minha
Frente hávia um abismo,
Que de dentro,
Ecoa a voz que chora
Fechado dentro de mim.
Quão rastro de sede,
Ecoa a voz triste e seca.
Do amado ser que
Um dia disse adeus.
Escrita em: 10/10/1977

PÉS DESNUDOS



Pretos, escuros, lameados,
Cansados, não podem parar,
Seguem rumo ao mar,
Buscam exaustos chegar a algum
Lugar, matar a sede dos seus,
E sobrar um pouco para os brutos.
Pés desnudos do sertanejo que
Corre da seca e chega ao Leo.
Pés desnudos, nudez da carne e da alma,
Grita o alforado descalço, desnudo sobre tudo.
Escrita em: 2012